Existem raros momentos na vida de uma mulher solteira em que realmente acreditamos em magia. No tal momento. Na tal circunstância. É certo e sabido que temos a possibilidade de nos afogar naquele lago de tristeza, o lago das nossas lágrimas, mas tentamos, porque como diz Pessoa, "Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso." O sonho de que, algures naquele mar de estrelas, algo nos guia, alguém nos espera... É por isso que persistimos pela complitude. Pelo nosso Jake. Por uma verdade que se esconde noutra pessoa. A desilusão e o martírio dão-se, mas a esperança quer vincar-se, não deixa que a fantasia desvaneça, porque sem ela não há nada. Apenas pó...E ninguém deseja pó.
É possível mostrar a alma a algúém através de uma máscara? Oscar Wilde diz que sim. Afinal, "dêem ao homem uma máscara e ele dir-vos-á a verdade". Sim. É impossível não o fazer. A máscara é como um colete à prova de balas que não nos expõe ao ridículo.
Não seria perfeito se todos fôssemos bolhas de sabão, pairando no ar? Assim, haveria momentos, em que a verdadeira alma se mostraria. Primeiro devagar e inatingível, mas depois, a pouco e pouco, forte e incomensuravelmente magnânime. Nunca haveria uma verdade ornamentada com uma mentira. Seria sempre tudo puro e verdadeiro.
Por isso, eu ponho a questão: é possível usar uma máscara para descobrir a nossa verdade? ou devemos acreditar que essa máscara transformará a nossa verdade numa mentira?
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
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